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terça-feira, 14 de dezembro de 2010


A diplomacia Inca

A conquista Inca estava dividida em três etapas: a diplomática, a intervenção armada com a permanência da população na área invadida e uma terceira marcada pelo sacrifício dos guerreiros e pela transmigração de grande parte da população para regiões inóspitas sujeitos a uma nova condição de vida e com chances remotas de revoltas civis.
A expansão inca iniciada com o Sapa Inca(1) Pachacuti(1438 – 1471)(2) consistia no envio de um diplomata a tribo bárbara. Como função esse funcionário real ofereceria as vantagens que traria a região caso atendessem as condições do Inca: desenvolvimento agrícola proveniente de um avançado sistema tecnológico de irrigação, pontes, estradas, a permanência dos cultos a divindades locais e um acesso da elite local a nobreza centralizada em Cuzco com a integração através de casamentos e alianças.


As exigências dos Incas eram o fornecimento de terras para o bem comum do Estado com aproveitamento para a agricultura para alimentar a população, ouro e prata para embelezar os templos das divindades do panteão divino Inca, mamacuna (virgens) para servirem no Templo do Sol e da Lua e que poderiam se tornar na maioria das vezes concubinas do Inca ou esposas de homens próximos ao imperador. Trabalhadores eram requisitados para obras publicas ou em terras do Inca ou dos kuracas(3) essa classe da sociedade era denominada de yanacona(4) . Segundo o cronista Pedro de Cieza Leon(5) o Estado Inca era suprido por razões de equilíbrio justiça e boas obras.

E como sempre os Incas fizessem boas obras aos que estavam sob seu domínio, sem consentir que fossem prejudicados, nem lhes tomassem tributos em demasia nem lhes fossem feitos outros desaforos, sem o qual muitos tinham províncias estéreis e que nelas seus antepassados haviam vivido lhes punham ordem que as faziam férteis e abundantes, provendo-lhes das cousas que nelas havia necessidade, e em outras que havia falta de roupa por não existirem rebanhos mandava dar-lhes com grande liberalidade (FREIRE, 2000: 85)

A recusa do acordo diplomático desencadeava a próxima etapa que era a intervenção armada à estratégia militar estava pronta caso a diplomacia falha-se. O inicio das hostilidades desencadeava um hábil exército treinado e bem equipado que utilizavam como recurso estradas pavimentadas e pontes que suspendiam nas ribanceiras dos Andes proporcionando as tropas grande mobilidade e os silos ao longo da via proporcionava alimentos e armamentos e facilitava o deslocamento a resistência da tribo atacada selaria o seu destino diante dos Incas. A imigração forçada era a opção mais utilizada ao fornecimento de mão de obra e tributos eram decididos nos tratados, caso a região fosse conquistada com grande dificuldade o sacrifício era largamente utilizado principalmente dos lideres que tinham então suas cabeças arrancadas e transformadas em taça para beber chicha(6).
Concluímos que as proporções tomadas pelo Império Inca o colocam entre os maiores Impérios da civilização humana, o avanço tecnológico desenvolvido a partir da base de civilizações anteriores permitiu a sociedade Inca uma administração centralizada e uma base ideológica que viria ser usada pelos espanhóis anos depois “a missão de levar a civilização aos bárbaros”.





(1)Sapa Inca titulo do imperador
(2)Pachacuti “o que faz a terra tremer” foi o nono governante do Império
(3)Kuracas elite da terra administrava as regiões do Império
(4)Yanacona servos
(5)Pedro de Cieza Leon cronista conquistador relatou a história da sociedade Inca
(6)Chicha vinho de milho







Referencias bibliográficas:
Acosta, José de, História Natural y Moral de lãs Índias, Ed. José Alcina Franch, Madrid, História 1987
Favre, Henri. A civilização Inca. Editor Jorge Zahar, 2004
Freire, Pedro Ribeiro O soldado Pedro de Cieza de León e o Império Incaico Ed. UERJ Rio de Janeiro 2000
Ribeiro, Darcy – As Américas e a civilização. Rio de Janeiro, Editora Vozes, 1988

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Historiografia Inca
A palavra império designa toda uma realidade relacionada ao tempo e ao espaço interferindo na sociedade em vários aspectos como o territorial a cultura e a religião. O Império Inca fora formado pela aglutinação de várias civilizações, uma rede complexa de cidades que tinham como centro gravitacional o templo e o sacerdote como a figura principal.
As pesquisas mais recentes sugerem a ocupação no continente americano aproximadamente há 40000 anos a.C. com novas rotas de emigração não se limitando a Teoria do estreito de Bering abrangendo outras possibilidades como a travessia do oceano Índico por barcos pequenos, mas de grande resistência e capacidade para grandes viagens.
A historiografia dividiu o tempo cronológico americano diferenciado do restante do globo como se fosse possível estudar a história do homem americano separado do contexto geral, porém para entendermos a história dos incas devemos mergulhar na divisão histórica dividida pela historiografia.
deus Jaguar Chavin
O primeiro período foi denominado Horizonte Antigo compreendido entre 1400 a 400 a.C. com a supremacia da cultura Chavin de Huantar em que foi desenvolvido o culto religioso em torno do deus com Cetro (Jaguar), onde o poder dos sacerdotes se destacava, o período seguinte está delimitado entre 400 a.C. a 550 d.C. com a denominação de 1°Período Intermediário nessa época desenvolveu duas culturas que foram marcantes no continente americano restando até os dias de hoje a sua passagem pelo continente as Linhas de Nasca no deserto aproximadamente no ano de 370 a.C.

Linhas de Nasca

Ainda nesse período as cerâmicas desenvolvidas pela cultura Mochica no ano 100 a.C. ganharam destaque com uma realidade estética observada nas esculturas tanto da Grécia como da Roma Antiga. Desenvolvendo as margens do lago Titicaca a mais de 3000 metros altitude acima do nível do mar, a cultura Tiahuanaco perdurou por mais de 500 anos no extremo sul, e paralelamente ao norte desenvolveu a cultura Huari, o desaparecimento dessas cidades alavancou o desenvolvimento das outras cidades-estados que se espelharam no modelo desenvolvido nesse período compreendido entre 550 a 900 d.C., denominado Horizonte Médio. Porta do Sol
Entre os anos 900 a 1476 desenvolveu duas civilizações imperialistas uma no litoral Chimu desenvolvida na costa do Pacífico e com a capital Chan-Chan uma cidade com estimativas populacionais acima de 80 mil habitantes um desenvolvimento não alcançado nas grandes capitais européias do período um império hidráulico que teria o seu expansionismo chocado com o imperialismo Inca projetado nos Andes que desenvolveu sob o reinado de Pachacuti “aquele que fez a terra tremer” nono soberano inca. Chan-Chan

Cerâmica Huari
O império Inca anexou povos e tecnologias e perdurou aproximadamente 200 anos edificou centenas de cidades, irrigou e tronou férteis terrenos que outrora eram áridos e sem chances de sobrevivência, o fim trágico tem seu inicio com a guerra civil e a chegada dos espanhóis, entre as edificações desta civilização Macchu Pichu tornou-se sinônimo da grandiosa sociedade Inca.

Cerâmica Mochica
Podemos concluir que a historiografia caminha para uma conscientização da população da Americana, reconhecem as raízes tanto nativas como européias formadoras da sociedade atual a sistematização do conhecimento através da divisão histórica que incluiu o estudo das civilizações pré-colombianas paralelo ao estudo das civilizações da Antiguidade Clássica delegando a esses povos a mesma importância.

Machu Picchu


Referências Bibliográficas:
• Acosta, José de. História Natural y Moral de lãs Índias. Madri: Ed. José Alcina Franch. 1987
• Favre, Henri. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Editor Jorge Zahar, 2004
• Freire, Pedro Ribeiro O soldado Pedro de Cieza de León e o Império Incaico. Rio de Janeiro Ed. UERJ, 2000.
• Ribeiro, Darcy – As Américas e a civilização. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1988.