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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caminho para helenização:Alexandre Janeu

A Judéia do século I a.C foi governada por uma dinastia oriunda de uma família liderada pelos Asmoneus, que conquistaram a liberdade religiosa e posteriormente a liberdade política a partir do ano 163 a. C com Judas Macabeu[1], esse período foi marcado pelo aprofundamento da cultura helênica na elite judaica e sob o reinado de Alexandre Janeu[2] 103 a 76 a.C os conservadores formados pelos fariseus foram duramente perseguidos por se oporem ao helenismo liderado por esse rei judeu.
O processo de helenização[3] iniciado intensamente após a morte de Alexandre o Grande trouxe para Jerusalém um novo modelo de vida que tinha como pressuposto a melhoria na vida de seus adeptos, no entanto essa “modernidade” tinha como projeto o favorecimento à elite como relata a autora Karen Armstrong[4], em seu livro Jerusalém uma cidade, três religiões, a situação do povo em geral “as classes mais pobres, que não partilhavam a nova prosperidade, tendiam a voltar-se mais fervorosamente que nunca para a Lei, segundo a qual cada coisa tinha seu lugar e a ordem só poderia prevalecer na sociedade se pessoas e objetos se confinassem à categoria a que pertenciam”. O ímpeto religioso ao quais os asmoneus adotaram no início da revolta contra os selêucidas[5] foi substituído pelos adornos da cultura grega, Alexandre Janeu acrescentou ao título de rei o de sumo sacerdócio e seu poder fora mantido pelas forças das armas de batalhões mercenários. Segundo Flávio Josefo[6] após a batalha contra Demétrio rei selêucida:
 “Ele obrigou os chefes a se retirarem a Betom, tomou a cidade e os mandou prisioneiros a Jerusalém, onde, para vingar-se das ofensas que havia recebido, usou contra eles de horrível crueldade: enquanto se entregava a um banquete com suas concubinas num lugar bastante elevado, de onde podia ver tudo, mesmo ao longe, fez crucificar cerca de oitocentos na sua presença e estrangular diante deles, enquanto ainda viviam, suas mulheres e filhos”.(JOSEFO:2000,559)
Alexandre Janeu estendeu os domínios do povo judeu à região costeira da Palestina, fazendo fronteira com o Egito, no sul e conquista também a leste do Jordão e em 96 a.C. conquista Gaza uma derrota contra os nabateus pela posse da região de Golã finaliza o seu expansionismo, pois concede exigências aquele povo. O expansionismo de Alexandre Janeu coincidiu com um momento em que Roma se ausentou do Oriente o que proporcionou grandes conquistas comparadas as do rei Davi.
Podemos concluir assim que a helenização proposta, atingia a elite dos povos conquistados. Na Judéia não seria diferente durante 100 anos a família Asmoneu governou utilizando política de aproximação com reinos helenísticos e o fim dessa dinastia marcou o inicio do domínio Romano.
Tumba de Alexandre Janeu - Maquete Centro Cultural Jerusalém
[1] Judas Macabeu filho de Matatias conquistou a liberdade política do povo judeu em 163 a.C
[2] Alexandre Janeu filho de João Hircano e sucessor de Aristóbulo I, governou por 27 o Estado Judeu.
[3] Helenização difusão da cultura grega no Oriente
[4] Karen Armstrong autora especialista em temas de religião, em particular sobre judaísmocristianismo e islamismo.
[5] Selêucidas Selêuco foi um dos generais de Alexandre o Grande que assumiu a Pérsia após a morte do conquistador.
[6] Flávio Josefo historiador Judeu que viveu entre 37 ou 38 – c. 100 d.C. e escreveu a História dos Judeus
Referências Bibliográficas:
 ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. SãoPaulo: Ed. Companhia das Letras,2000.
 BORGER, Hans. Uma história do povo judeu. 4ª Ed. São Paulo: Sêfer, 1999. 
 JOSEFO, Flávio A História dos Hebreus, 8ªEd. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
GOODMAN, Martin. A classe dirigente da Judéia. Rio de Janeiro: Imago, 1994.
OTZEN, Benedikt. O judaísmo na antiguidade. São Paulo: Paulinas, 2003.
O professor Amarildo Salvador é graduado em História pelo Centro Universitário Augusto Motta, pesquisador do Centro de Pesquisas da Antiguidade e Monitor Histórico do Centro Cultural de Jerusalém.